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Projeto macaense planeja trazer visibilidade a artistas trans

A primeira gravação será com a cantora Indra Haretrava na segunda-feira, dia 17

Por Redação em 15/05/2021 às 09:18:18
A cantora Indra Haretrava será a pioneira do projeto

A cantora Indra Haretrava será a pioneira do projeto

Com o intuito de dar voz aos artistas da comunidade trans, uma união empresarial macaense, lançou um projeto que promete movimentar o cenário da música. A princípio, os idealizadores do projeto planejam lançar quatro faixas musicais, no decorrer de 2021, que serão elaboradas somente com cantores trans.

Nesta segunda-feira, 17, a primeira faixa começa a ser gravada com Indra Haretrava, que além de cantora, performance, modelo fotográfica, esteve na primeira temporada de "Nasce uma Rainha", série da Netflix comandada pela cantora Glória Groove e a Drag Queen Alexia Twister, em 2020.

De acordo com o Dj "Neskau", um dos idealizadores do projeto, o nome de Indra Haretrava surgiu após repercussão de um concurso realizado no início do ano pelo Instagram do Dj "Neskau", em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans no Brasil, celebrado em 29 de janeiro. O projeto, que contou com a presença de inúmeros participantes, iniciará com a Indra Haretrava, que teve um dos melhores desempenhos no evento. "A Indra foi uma das cinco candidatas com ótimo destaque, então fiz o convite e ela logo aceitou", disse "Neskau".

Ainda segundo "Neskau", os demais artistas, que irão participar do projeto, também foram selecionados, através do concurso realizado no instagram. A ideia inicial era selecionar apenas um artista, mas conhecendo os trabalhos, decidiu produzir o total de quatro artistas. "Como homem negro, hétero e cis, quero muito ajudar a comunidade por meio do meu trabalho em prol dessas pessoas", ressaltou.

A cantora Indra afirmou que o coração se mantém aquecido e feliz desde que ganhou o sorteio que o DJ Neskau fez no instagram. " Essa gravação tem um significado especial, pois será minha primeira experiência como cantora e compositora, caminho que recentemente descobri e que quero viver e aprimorar cada dia mais. Como travesti, reflito que a nós, pessoas transvestigeneres, foram impostos estigmas e pouquíssimas possibilidades de existir. Oportunidades como essa nos fortalecem e escancaram os caminhos que irmãs e irmãos lutaram para abrir no passado e que hoje nos permite sonhar", declarou.

Projeto espera revelar novos talentos e trazer esperança de dias melhores

A "Karucango Eixo Artístico", nome dado a união empresarial que fomenta o setor artístico não só macaense, mas de toda região, por meio de orientação, formação, produção, assessoria e suporte de carreiras, quer mais que revelar novos talentos, mas trazer esperança de dias melhores.

De acordo com o Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras 2020, documento elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil continua no topo do ranking de assassinato de pessoas trans novamente em 2020.

"No país que mais mata pessoas transexuais no mundo, o Brasil, que no ano passado ainda liderou pela 12ª vez consecutiva essa triste posição, é imprescindível e cada vez mais urgente a construção de políticas públicas capazes de promover mais inclusão e diversidade da comunidade pelos espaços na sociedade, bem como garantir os seus direitos", lembrou Laís Monteiro, que faz parte do projeto.

A Karucango entende que a comunidade trans sofre com a rejeição não só pelo mercado de trabalho, mas principalmente, pelos os seus familiares, grande parte das pessoas trans acabam enveredando para os trabalhos informais, muitas vezes, por uma simples questão de sobrevivência. Além disso, juntam-se ainda a essa dura realidade, a crise financeira decorrente do cenário pandêmico e a classe policial que atua de forma errônea, contribuindo fortemente no extermínio de pessoas trans.

Neste sentido, o empreendimento vai na contramão das dificuldades enfrentadas pela comunidade, revelando novos talentos na cultura e os dando a esperança de dias melhores.

"Com esse projeto, pretendo colocar não só a Indra Haretrava no mercado da música, mas todas as pessoas trans inseridas no mesmo, com um trabalho sério e bastante profissional. As expectativas são as melhores possíveis. Ela é bastante talentosa e expressiva em sua arte. Percebo isso desde que a assisti no documentário", frisou a produtora de eventos, Sheila Juvêncio.

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